
Gladis Maia
Até porque ela passou a fazer parte do nosso cotidiano, tem-se falado muito sobre a violência que tem assolado o Brasil. Mas a verdade precisa ser dita: ao longo da história de país nascido escravocrata, o que se tem observado é que mesmo com a implantação do regime republicano esse quadro pouco se modificou.
No campo político temos convivido com várias alternâncias de regimes autoritários, ditatoriais. O modelo econômico capitalista extremamente excludente, concentrando a renda na mão de poucos, constitui-se num dos principais fatores da prática da desigualdade e da violência. As relações profundamente desiguais, geram privilégios para alguns e ausência de direitos para muitos.
E por que não dizer que a Escola também reflete o modelo violento de convivência social? Nas sociedades capitalistas, que valorizam essencialmente o consumo, as coisas materiais, a aparência, têm-se destacado, em detrimento da essência da pessoa humana, num total desvirtuamento do significado de ser gente, ser sujeito, ser pessoa.
Valores como solidariedade, humildade, companheirismo, respeito, tolerância, são pouco estimulados nas práticas de convivência social, na família, na escola, no trabalho ou nos locais de lazer! A inexistência dessas práticas cedem lugar ao individualismo, à lei do mais forte, à necessidade de se levar vantagem em tudo, e daí para a brutalidade e a intolerância estamos a um passo.
Diante deste quadro, seria mais coerente falarmos de violências no plural, qualificando-as, no mínimo como: violência urbana, violência policial, violência familiar, violência escolar, etc.
Em relação à violência escolar não dá para esconder que quando um professor fala e manifesta atitudes tais quais: “este aluno está ferrado comigo" ; "este aluno não quer nada com a escola e por mim está reprovado" , ela é palco de e está gerando mais e mais violência.
E o mais triste é que os professores não vêem esta forma de relacionamento com os alunos, que passou a fazer parte do cotidiano escolar, como desrespeito ou agressão. Muitos professores acham que a violência na escola aparece, basicamente, na relação entre os alunos. É como se o professor pudesse ficar isento de tal prática.
Na verdade, todos nós somos produtos do conjunto das relações sociais de uma determinada sociedade da qual fazemos parte. Daí a importância de termos conhecimento de como essas relações são produzidas para podermos pensar alternativas de superação.
E qual seria o papel da educação e da escola nesse contexto? Se entendemos que a educação é um processo de construção coletiva de formação do indivíduo - contínua e permanente - e que se dá na relação entre as pessoas e entre estas e a natureza, a escola pode ser definida como o local privilegiado para essa ação, porque trabalha com o conhecimento, com valores, com atitudes e com a formação de hábitos.
Entretanto, dependendo da concepção e da direção que a escola venha a assumir, esta poderá tornar-se mais um local de violação e de respeito à busca da materialização dos direitos de todos os cidadãos, ou seja, de construção da cidadania.
É importante que a escola seja um espaço onde se formam as crianças e os jovens para serem construtores ativos da sociedade na qual vivem e exercem sua cidadania. Um projeto de escola que busque a formação da cidadania, precisa ter basicamente como objetivos:Tratar todos os indivíduos com dignidade, com respeito à divergência, valorizando o que cada um tem de bom. Tornar a escola mais atualizada para que os alunos gostem dela. Trabalhar a problemática da violência e dos direitos humanos, a partir do processo de conscientização permanente, relacionando esses conteúdos ao currículo escolar. E incentivar comportamentos de troca, de solidariedade e de diálogo.
Esta proposta educativa deve ter como eixo central a vida cotidiana, vivenciando uma pedagogia da indignação e não da resignação, como pregava nosso pequeno grande educador Paulo Freire, e continuar sua luta, tornando-a nosso sonho, nossa missão, nossa utopia a ser perseguida, hoje e sempre, incessantemente!
Quem pratica a violência, além de burro é covarde, porque somos seres humanos e a única coisa que nos diferencia dos animais é a capacidade de pensar e de falar. Se nós temos a capacidade de usar palavras, para que usar a força bruta? Pensem nisso! Namastê!
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