Li uma matéria muito estranha no jornal de hoje.
Seguindo uma resolução do Conselho Nacional de Educação, a criança só poderá ser matriculada, no primeiro ano do ensino fundamental, se tiver seis anos de idades completos até o primeiro dia de aula.
Se isto é verdade, gostaria de saber quais estudos estabeleceram a idade mínima porque se meus netos futuros netos forem como as mães, viverão uma situação surreal. Explico o porquê:
tenho duas filhas que cursaram o antigo CA aos 5 anos.
A mais velha aos quatro anos já estava alfabetizada (sozinha aprendeu a ler e daí para escrever foi um pulo). Como foi não sei, imagino que pelo contato diário com as revistas e jornais que a família lia.
Com cinco anos, a escola onde estava matriculada sugeriu que ela passasse do Jardim para o C.A. Ficou combinado que se ela sentisse saudade da turma antiga, retornaria a ela. Ela nunca ficou em recuperação, repetiu o ano, ou causou qualquer tipo de dificuldades nas escolas que cursou. A única diferença que havia entre ela e os outros alunos é que em quase todas as turmas ela era mais nova; e isto nunca impediu que ela tivesse amigos e se relacionasse muito bem no ambiente escolar.
Hoje, ela é especialista em Sustentabilidade Empresarial, depois de ter cursado o bacharelado em Relações Internacionais, feito uma pós-graduação em gestão empresarial e o MBE em Gestão para o Terceiro Setor. É a responsável pela área de Desenvolvimento Social de uma grande agroindústria e presidente da Fundação, que é o braço social desta empresa.
Já minha filha mais nova acredito que foi alfabetizada pela irmã. Tínhamos mudado de cidade e a escola em que foi matriculada, no maternal, tinha certa rigidez com a idade. Aos cinco anos deveria ir para o Jardim, mas duas semanas depois de iniciada a aula, me disse: eu não vou mais para a escola; tudo o que a “tia” fala eu já sei e pra fazer o que sei posso fazer em casa.
Fui conversar com a diretora, que permanecia relutante, e fizemos um acordo de flexibilização de turmas, até que houvesse certeza de que o planejamento pedagógico não seria afetado.
A caçula também nunca repetiu ano ou ficou em recuperação. Sempre esteve cercada de amigos e muito bem relacionada com os professores.
Atualmente, ela é Mestre em Economia – com ênfase em políticas publicas, coordenadora do Curso de Ciências Econômicas do centro universitário onde leciona, é coordenadora da Empresa Junior deste mesmo centro universitário. É, também, editora de uma revista de economia, tutora de ensino a distancia, presta consultoria e está cursando uma pós-graduação em Gestão do Ensino Superior, alem de se preparar para o doutorado em economia aplicada.
Minhas filhas sempre foram alunas aplicadas e responsáveis – qualidades que levaram aos seus ofícios, mas não são gênios nem NERDS. Nós nunca fizemos nenhuma exigência sobre o rendimento, nota ou estimulamos qualquer competição.
Se esta resolução já estivesse em vigor quando elas começaram a estudar quem pode afirmar que as oportunidades surgidas em suas vidas se repetiriam?
Será que elas teriam motivação para estudar?
Será que não causariam problemas em sala de aula?
Os SERÁ são muitos, mas o que realme4nte me preocupa é a cama de Procusto criada pela CNE. Minhas filhas não são únicas, durante a vida encontramos muitos pessoas que começaram cedo a profissão de estudante.
Preciso que alguém me explique onde está a mística do numero seis porque idade por idade minha família prefere o cinco.
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