Cristovam Buarque - Educacionista

Educação de qualidade igual para todos

Li uma matéria muito estranha no jornal de hoje.

Seguindo uma resolução do Conselho Nacional de Educação, a criança só poderá ser matriculada, no primeiro ano do ensino fundamental, se tiver seis anos de idades completos até o primeiro dia de aula.
Se isto é verdade, gostaria de saber quais estudos estabeleceram a idade mínima porque se meus netos futuros netos forem como as mães, viverão uma situação surreal. Explico o porquê:
tenho duas filhas que cursaram o antigo CA aos 5 anos.

A mais velha aos quatro anos já estava alfabetizada (sozinha aprendeu a ler e daí para escrever foi um pulo). Como foi não sei, imagino que pelo contato diário com as revistas e jornais que a família lia.
Com cinco anos, a escola onde estava matriculada sugeriu que ela passasse do Jardim para o C.A. Ficou combinado que se ela sentisse saudade da turma antiga, retornaria a ela. Ela nunca ficou em recuperação, repetiu o ano, ou causou qualquer tipo de dificuldades nas escolas que cursou. A única diferença que havia entre ela e os outros alunos é que em quase todas as turmas ela era mais nova; e isto nunca impediu que ela tivesse amigos e se relacionasse muito bem no ambiente escolar.
Hoje, ela é especialista em Sustentabilidade Empresarial, depois de ter cursado o bacharelado em Relações Internacionais, feito uma pós-graduação em gestão empresarial e o MBE em Gestão para o Terceiro Setor. É a responsável pela área de Desenvolvimento Social de uma grande agroindústria e presidente da Fundação, que é o braço social desta empresa.

Já minha filha mais nova acredito que foi alfabetizada pela irmã. Tínhamos mudado de cidade e a escola em que foi matriculada, no maternal, tinha certa rigidez com a idade. Aos cinco anos deveria ir para o Jardim, mas duas semanas depois de iniciada a aula, me disse: eu não vou mais para a escola; tudo o que a “tia” fala eu já sei e pra fazer o que sei posso fazer em casa.
Fui conversar com a diretora, que permanecia relutante, e fizemos um acordo de flexibilização de turmas, até que houvesse certeza de que o planejamento pedagógico não seria afetado.
A caçula também nunca repetiu ano ou ficou em recuperação. Sempre esteve cercada de amigos e muito bem relacionada com os professores.
Atualmente, ela é Mestre em Economia – com ênfase em políticas publicas, coordenadora do Curso de Ciências Econômicas do centro universitário onde leciona, é coordenadora da Empresa Junior deste mesmo centro universitário. É, também, editora de uma revista de economia, tutora de ensino a distancia, presta consultoria e está cursando uma pós-graduação em Gestão do Ensino Superior, alem de se preparar para o doutorado em economia aplicada.

Minhas filhas sempre foram alunas aplicadas e responsáveis – qualidades que levaram aos seus ofícios, mas não são gênios nem NERDS. Nós nunca fizemos nenhuma exigência sobre o rendimento, nota ou estimulamos qualquer competição.

Se esta resolução já estivesse em vigor quando elas começaram a estudar quem pode afirmar que as oportunidades surgidas em suas vidas se repetiriam?
Será que elas teriam motivação para estudar?
Será que não causariam problemas em sala de aula?

Os SERÁ são muitos, mas o que realme4nte me preocupa é a cama de Procusto criada pela CNE. Minhas filhas não são únicas, durante a vida encontramos muitos pessoas que começaram cedo a profissão de estudante.

Preciso que alguém me explique onde está a mística do numero seis porque idade por idade minha família prefere o cinco.

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Respostas a este tópico

Oi, Guaraciara!

Primeiro, parabéns pelas filhas que tens!

Quanto a tuas questões, há a ingênua crença de que crianças de mesma idade têm capacidades de aprendizagem semelhantes. Não vão eles querer que uma criança de cinco quebre toda uma série de teorias lançadas e repetidas, não é? Ora, pois! Quem é que sabe mais da capacidade de uma criança? Ela mesma ou uma teoria que nem a conhece? A teoria, não é? Para isso é que os teóricos estudam, e aí vem umas meninas espertas e inteligentes querendo mudar tudo... tsc tsc tsc

Evidentemente, estou ironizando, Guaraciara. Não concordo com uma medida assim também (aliás, não a tinha visto!). Já ia planejando tentar matricular meu sobrinho aos cinco anos no primeiro ano, para completar seis só em outubro. Por quê? Simplesmente porque ele tem condições de aprender, pois já sabe inúmeras coisas que os coleguinhas do jardim não sabem ainda e que as professoras NÃO ensinam. A dele, por exemplo, em vez de lhes fazer assinarem seus nomes, ela mesma escreve por eles. No caso dele, ainda escreve errado. Ele, que há muito já conhece seu nome, até já a corrigiu, mas a profe é ela...

Lamentável. A cada dia a educação está pior e pior... Socorro! O que faremos???

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