Cristovam Buarque - Educacionista

Educação de qualidade igual para todos

Eu sempre pensei muito sobre a educação, apesar de não ser especialista.
Sempre soube que, para o Brasil melhorar, era preciso que o brasileiro fosse uma pessoa de bem. Não adianta todos saberem muita matemática e muito português se o povo é malandro e corrupto.

Algumas matérias que eu sugeriria para um currículo escolar que formasse pessoas de bem:
Além das matérias normais, adicionaria as aulas:

1- Pensamento - onde os alunos discutiriam os assuntos do dia, discutiriam idéias sobre a sociedade, sobre a vida deles próprios, sobre questões de ética e moral. Seria uma matéria obrigatória do começo do primeiro grau até o final do segundo.

2- Esperanto e assuntos mundiais - No primeiro ano, ensinaria-se a língua internacional Esperanto, como forma de abertura dos horizontes linguísticos e culturais do aluno. Um ano é o suficiente para que qualquer aluno fale a língua como se tivesse nascido sabendo. Em estudos em vários países do mundo, foi comprovado que o Esperanto ajuda muito no aprendizado de qualquer outra língua e desenvolve o cérebro da criança de maneira que a criança melhora consideravelmente em todas as outras matérias. 40% em matemática.
Junto ao Esperanto, a criança aprenderia sobre as diferentes culturas mundiais (eu daria ênfase especial à África e à América Latina, que são sempre ignoradas no currículo). Com a criança sabendo o Esperanto, seria possível a implementação de um programa de correspondência com outras crianças ao redor do mundo que falam esperanto, para que os alunos tivessem contato em primeira mão com as culturas sobre as quais estão estudando. (a língua já é falada por mais ou menos 10 milhões de pessoas pelo mundo e é inteiramente apoiada e incentivada pela UNESCO)

3- Linguagem de sinais - além de estimular o cérebro da criança para uma linguagem diferente da sua, ela estimula o contato da criança com o deficiente físico, com uma realidade que pode não ser a sua. Estimula o interesse da criança em conhecer e respeitar a diferença.

4- Meditação antes das aulas: em experiências que foram feitas em diversas escolas do mundo todo, com a prática de meditação por meia hora, todos os dias, antes das aulas começarem, foi comprovado que os alunos ficam mais focalizados no estudo e mais calmos. Os professores não precisariam mais gritar para serem ouvidos, e isso melhoraria o aproveitamento dos alunos em TODAS as matérias.

O que vocês acham? Que aulas estão faltando no currículo brasileiro?

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Respostas a este tópico

Renata, concordo plenamente com todas as sugestões.
Incluiria também uma maior atenção quanto as artes. Dar uma opção para a criança entre música, teatro, pintura, etc. Melhorar esses departamentos nas escolas para desenvolver a veia artística e criativa dos alunos.

Me interessou muito, principalmente, esta ideia do Esperanto. Acho que aprender uma segunda língua é algo essencial. E, realmente, já ouvi dizer que o Esperanto é a melhor língua para se aprender: estimula o aprendizado de outras línguas. No caso, o inglês fica cinco vezes mais fácil de aprender depois que a criança aprende Esperanto. E também cria no aluno a criatividade de aprender sobre o mundo.

Andei pesquisando depois que li esta entrada no fórum. Realmente, seria uma adição importante para a educação brasileira.

Onde posso aprender Esperanto?

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Oi Renata, concordo com suas sugestões. Sobretudo a aula de meditação. Nunca tinha pensando antes de você me falar o quanto nossas crianças carecem de capacidade de concentração e como que levamos isso para a vida adulta. As outras sugestões também são ótimas, mas essa é a mais especial para mim. Contudo, acho que podemos repensar ainda a relação "o que se ensina/ para que se ensina". Nenhum ser humano seria capaz de lidar com qualidade com a quantidade de informações que lhe são impostas por um colégio particular no Brasil, por exemplo (não tenho certeza do conteúdo de outros países). Ainda que suas avaliações (que já é processo altamente questionável) possa apontar notas muito boas, em alguns anos, esse mesmo aluno terá poucas lembranças sobre as informações que teve acesso.

Primeiro, acho que podemos pensar em um ensino mais local. Pensando para resolver e refletir questões pertinentes de uma localidade (sem perder a perspectiva mais geral, mais global). Contraditório? Em parte, sim. Mas penso que para um estudante do Amazonas, pensar nas questões que envolvem políticas ambientais e indigena seja algo muito caro. Assim como deve ser caro estudar sobre arte barroca para um estudante do interior de Minas Gerais... é algo sempre complicado. É importante conhecermos o resto do mundo, mas não podemos nos privar de conhecer nosso próprio espaço.
Não sei, penso no ensino como forma de crítica. E a crítica começa em casa, na rua, no bairro, na cidade... sempre me incomodou ver meninos do nordeste e do centro-oeste do País aprendendo sobre história, política e geografia de outros países; e não conseguindo refletir sobre as próprias questões.

Segundo, penso que bons curriculuns de ensino deveriam ser o mais abertos possiveis. Permitindo que os estudantes possam especializarem-se nos seus interesses. Vamos inventar um caso para eu ser melhor compreendido. Aqui no Brasil, por exemplo, há dois estudantes numa sala de aula. Um adora matemática. Outro, adora desenho. Cada um deles tem muita afinidade com o tema. O problema é que nossa organização educacional vai tender a estimular o menino que gosta de matemática, oferecendo-lhe cada vez mais tempo para que possa estudar e estimulando seu egô como estudante. Já o estudante que gosta de desenho, será sempre taxado como mau aluno e passará parte do seu tempo, em vez de desenvolver suas potencialidades, estudando matemática. E será imposto socialmente para ele que "desenho" não é uma forma digna de profissão.
Isso é que precisamos terminar. Essa hierarquia de conhecimento do ensino. Isso é muito prejudicial. Precisamos de boas pessoas, em todas as áreas. Um aluno que gosta e queira se desenvolver no desenho, precisa ter o direito de diminuir (não acho que seria legal acabar) com a carga horária em outras disicplinas para, justamente, dedicar-se mais ao que o sensibiliza.
Precisamos de propostas de ensino menos uniformes, menos homogenizantes.
Não formar o cidadão ideal. Formar o cidadões plurais.

Bem, é o que acho.
Fico aberto a criticas e sugestões.
O que acham?

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Concordo em parte com você, Gabriel.
Com certeza, o brasileiro precisa aprender sobre a sua cultura local. Mas não em detrimento do pensamento global, que é também extremamente importante. Algo que notei nos americanos quando morei lá foi que eles não sabiam e não queriam saber do resto do mundo. O ensino era só relacionado aos Estados Unidos (e aos países que tinham contato com os Estados Unidos em épocas específicas), os telejornais eram só sobre notícias locais... era insuportável. Criou-se lá uma cultura fechada em si mesma, que só agora está começando a conseguir se abrir para o mundo.

Não queremos crianças bitoladas deste jeito no Brasil. Queremos crianças plurais, que se interessem pelo mundo em que vivem (o mundo local E o mundo internacional, que os afeta tanto quanto o local). Ao aprender sobre outros países, em história, geografia, e na aula de Esperanto (se a minha idéia fosse adiante), as crianças ampliam seus horizontes, aprendem sobre outras culturas, aprendem a valorizar a diferença (cultural, de ponto-de-vista, etc), ao passo que uma educação voltada somente ao local cria indivíduos fechados em seu próprio universo, em seu próprio ponto-de-vista. Alheios ao resto do mundo.

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Esta idéia de que a educação precisa visar a formação de PESSOAS DE BEM e não só de mentes tecnicamente capazes é essencial, Renata. Você está certíssima. E uma educação dessas precisa englobar atualidades, pensamento, linguagens diversas e focalizar no conhecimento do outro - de outras culturas, de outras filosofias, de outros modos de se ver a vida. Acho que o Esperanto seria realmente uma ferramenta magnífica para este contato com outros modos de se ver a vida.
Precisamos abrir as mentes de nossas crianças.
O sr. Cristovam Buarque está indo na direção certa propondo o ensino do Esperanto como facultativo nas escolas brasileiras.

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Antes de responder que aulas estão faltando, é preciso responder quantas aulas estão faltando! Infelizmente o tempo que os alunos passam na escola, tanto aqueles do turno diurno e principalmente os do noturno, é insuficiente.
E além do tempo de permanência dos alunos na escola, também é necessário que essa permanência se torne interessante para os alunos. Como exemplo, e isso o MEC já detectou, a grande evasão escolar entre os alunos do Ensino Médio é causada na sua maioria pelo desinteresse dos alunos pela escola, por não haver motivação por permanecer ou frequentar diariamente a escola por três anos consecutivos. Como incluir mais disciplinas no currículo se os alunos não permanecem na escola? A estrutura curricular deve. A rotina escolar deve fazer sentido para os alunos!
Havendo esse esforço inicial podemos pensar em incluir novas disciplinas como você bem sugere Renata. Apenas nessa disciplina do pensamento, na minha opinião, deve-se ter cuidado para não discutir questões do cotidiano tendo como base somente o senso-comum, que, como sabemos mascara uma compreensão mais sistemática dessas questões.
Abraço.

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Frederico, tenho a impressão de que, com a adição dessas matérias que eu sugeri, desde os primeiros anos de escola, o interesse das crianças quanto ao aprendizado cresceria, e não haveria tantas desinteressadas em sala de aula. As matérias que eu sugeri são matérias que fazem a criança querer aprender mais, instigam a curiosidade, instigam o estudo e a discussão em sala de aula. Se essas matérias fossem introduzidas desde o começo, e fossem ensinadas corretamente, as crianças não se desinteressariam pela escola. Pelo contrário. Iriam querer aprender cada vez mais.

E quanto ao tempo que os alunos passam na escola ser insuficiente, eu concordo. Mas, se essas matérias fossem implementadas, o tempo necessário para ensinar qualquer matéria seria reduzidíssimo. A maior parte do tempo que as crianças passam na escola é perdido em bagunça, desatenção dos alunos, broncas da professora, etc etc etc. Aumentando a vontade e o interesse do aluno em aprender (com aulas como Pensamento e Esperanto/mundo), e focalizando a atenção do aluno através da meditação, as horas-aula normais (matemática, geografia, etc) poderiam ser reduzidas pela metade. Porque não haveria esta perda de tempo costumeira, as crianças estaria mais concentradas e mais interessadas, aprenderiam mais rápido.

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Eu concordo plenamente com a Renata em tudo que ela falou.

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